domingo, 9 de novembro de 2008

O BUQUÊ de ROSAS...


O BUQUÊ de ROSAS

Montado em sua carroça, puxada por seu cavalo e cheia de tranqueiras, seu Thomas voltava para sua casa depois de um longo dia de trabalho na roça. Seu Thomas é um senhor de 42 anos, forte, educado, trabalhador e sempre disposto a ajudar as pessoas. Sempre voltava para casa às onze da noite, sempre seguia o mesmo caminho como de costume e durante o caminho que percorria adorava conversar com seu fiel amigo, seu cãozinho Frederico que costumava chamar de Fred.

Naquela noite, seu Thomas estava muito cansado e sonolento, quase não dava atenção a Fred, apenas conduzia a carroça em direção à sua casa e pelo mesmo caminho de sempre. Mas talvez pelo enorme cansaço que percorria seu corpo, percebeu que o caminho estava diferente, talvez sem querer tenha errado o caminho. Mas como conhecia bem a região, pensou e disse ao seu cão Fred que dormia ao seu lado no banco da carroça:

- E você nem pra me avisar Fred! Errei o caminho... Mas tudo bem. Minhas costas doem demais e eu não vejo à hora de chegar em casa e tomar um bom banho quente meu amigo. Pelo jeito você já capotou faz tempo né? Vou cortar caminho atravessando o rio, pela velha ponte de pedras logo ali. Vamos chegar rapidinho em casa, pois parece que vai chover daqui a pouco meu rapaz.

Mudando de direção, seu Thomas segue em direção ao rio perto dali. Começa a relampejar... E isso é sinal que está vindo uma boa chuva. Olha adiante e enxerga a ponte de pedras que dá acesso ao outro lado e no meio dela, ele avista alguém e se pergunta:

- Quem a esta hora da noite estaria fazendo ali? Está prestes a cair uma tremenda chuva! Coisa de doido não é Fred?

Fred acorda neste momento levantando as orelhas e focando sua visão em direção a ponte. Fato este que deixou seu Thomas curioso. Chegando mais perto da ponte, seu Thomas vê que a pessoa parada ali é uma bela mulher, vestida de noiva e segurando seu buquê de rosas. Educadamente ele pára a carroça e pergunta a mulher:

- Precisa de ajuda moça? Aconteceu algo?

A moça desesperada e com medo dos lampejos responde:

- O senhor pode me ajudar? Está pra chover, preciso de carona e de uma companhia até a casa de minha mãe que fica do outro lado, atravessando o bosque na pequena vila dos Pássaros.

Sem mais nem menos, seu Thomas desce e ajuda a moça a subir na carroça e os dois seguem atravessando a ponte de pedras. No decorrer do caminho e adentrando no bosque, sua curiosidade vem à tona e ele pergunta a bela moça:

- A senhorita está tão quieta! Meu amigo Fred gostaria de saber seu nome? Não é Fred? - indagou seu Thomas dando pequenos tapinhas na cabeça do cachorro que não tirava os olhos da moça.

A jovem olha nos olhos de seu Thomas e com um sorriso diz:

- Meu nome é Juliana!

Juliana era uma mulher muito bonita de longos cabelos ruivos e encaracolados, olhos cor de amêndoa e dona de um sorriso encantador, isso tudo chamou muito a atenção de seu Thomas que não tirava os olhos.

- O meu é Thomas e este é Fred, meu melhor amigo! Mas... O que a senhorita fazia ali na ponte e vestida desse jeito? Ta fugindo do noivo? – brinca seu Thomas.

Juliana abaixa a cabeça e responde com um tom de voz muito triste:

- Eu estava indo para o meu casamento, mas ao chegar na ponte, eu somente pensava em minha mãe e fiquei por ali mesmo, pensando somente em voltar pra casa e ver minha mãe.

- Era um casamento arranjado? O noivo não prestava? Você queria se casar realmente? Desculpe todas estas perguntas, mais foi muito estranho encontrar você ali, vestida de noiva a essa hora da noite e sozinha. – disse seu Thomas olhando para a moça.

Juliana abaixa a cabeça permanecendo quieta novamente e não respondendo as perguntas feitas por Thomas.

- Tudo bem, se não quiser responder, afinal se você não queria casar-se realmente, a decisão é somente sua. Mas posso dizer que a senhorita é uma noiva muito bonita! – disse Thomas muito acanhado e com o rosto avermelhado.

Juliana ergue a cabeça e abre um enorme sorriso para Thomas.

- Obrigada! Você é muito gentil seu Thomas.

E continuaram conversando muito sobre ele, sobre ela, ouviam-se várias risadas dos dois dentro do bosque. Afinal foi uma viagem muito agradável e cada vez mais seu Thomas ficava interessado em Juliana. Chegando na vila dos Pássaros, Juliana aponta para uma casa e diz:

- É bem aqui a casa de minha mãe!

Seu Thomas pára a carroça e ajuda Juliana a descer. Juliana antes de entrar em casa, pára em frente dele e olhando em seus olhos diz:

- Muito obrigada seu Thomas, fico muito feliz por tudo e pela ótima companhia. Já é muito tarde para o senhor e preciso conversar muito com minha mãe! Adorei conhecê-lo!

Juliana se despede de seu Thomas com um beijo no rosto e corre até a porta porque a chuva começava a cair neste momento. Antes de Juliana entrar na casa, seu Thomas com um nó na garganta, chama sua atenção, levantando o braço no meio da chuva pergunta:

- Juliana! Adorei te conhecer também, eu poderia passar aqui amanhã pra tomarmos algo, um café, um chá, sei lá?

Juliana antes de entrar responde:

- Pode vir aqui sim! Minha mãe ficará muito feliz!

Seu Thomas com um enorme sorriso ainda permanecia ali parado por um instante, observa bem a casa, sem se preocupar com a chuva que caia em seu corpo. Quando caiu na real, seu Thomas sobe rapidamente em sua carroça e cai na estrada, muito feliz por sinal, afinal ele tinha encontrado alguém especial e não via a hora de voltar e revê-la.

Na manhã seguinte o céu estava lindo e aberto por causa da chuva. Seu Thomas havia dormido muito bem, levantou-se, tomou um belo banho, fez a barba e colocou sua melhor roupa para ir até a casa de Juliana. Neste dia seu Thomas não foi trabalhar, tinha planos melhores para fazer. Subiu na carroça e chamou Fred para ir junto até a casa de Juliana:

- Venha Fred! Suba aqui garoto! Hoje é um dia especial...

Chegando na Vila dos Pássaros, seu Thomas parou sua carroça em frente à casa de Juliana e com um pulo desceu e caminhou até a porta. Arrumou a roupa, ajeitou o cabelo e bateu na porta. Uma senhora de cabelos grisalhos abre a porta e olhando para seu Thomas meio que assustada pergunta:

- Pois não senhor?

Essa deve ser a mãe de Juliana, pensa Thomas.

- Bom dia minha senhora! Sua filha Juliana está? Eu a ajudei ontem à noite e a trouxe de volta. Queria poder vê-la!

Neste momento os olhos da senhora enchem de lágrimas e começa a chorar segurando-se no batente da porta para não cair. Seu Thomas sem saber o que estava acontecendo pergunta:

- O que foi minha senhora? Aconteceu algo?

Segurando a senhora nos braços, seu Thomas a leva até o sofá, muito confuso pela situação. Sentados no sofá, ele conta tudo o que aconteceu na noite passada enquanto a senhora chorava e ouvia com atenção. Após o término da conversa, a senhora pede que seu Thomas a siga até um lugar perto dali.

Chegando a este lugar, debaixo de uma grande árvore, está uma lápide e nesta lápide estava escrito o nome de Juliana. Juliana havia morrido fazia 10 anos. A senhora ainda com lágrimas nos olhos, contou que no dia do casamento de Juliana, ela havia morrido quando a carruagem que a levava até a igreja caiu da ponte de pedras dentro do rio porque o cocheiro estava bêbado no dia.

- Foi um dia terrível pra mim! – dizia a senhora de cabelos grisalhos – Juliana estava tão feliz com o casamento e queria muito que eu fosse até a cerimônia, mas neste dia eu estava muito doente e não pude ir. Passou se um mês do ocorrido, recebi a notícia que o noivo dela suicidou-se dentro do banheiro de sua casa com um corte no pescoço feito pela lâmina de barbear.

Seu Thomas estava sem palavras, não tinha o que dizer. Para ele foi tudo muito real que não podia acreditar em tal fato, apenas lamentar.

- Quando o senhor bateu em minha porta e perguntou por Juliana, lembrei-me do sonho maravilhoso que tive ontem à noite. Juliana havia entrado em casa e pulou em minha cama dizendo que estava morrendo de saudades de mim e finalmente estava comigo. – disse ainda emocionada a velha senhora.

Seu Thomas abraçou a senhora e ficaram ali por algum tempo.Voltaram até a casa e conversaram mais um pouco. Na despedida, a velha senhora de cabelos grisalhos agradeceu seu Thomas por tudo e os dois tornaram-se amigos. Ele subiu na carroça onde estava Fred e partiu em direção a sua casa.

Chegando em sua casa, seu Thomas muito triste resolve esvaziar a carroça para trabalhar amanhã e no meio das tranqueiras que nela carregava, ele encontra o buquê de rosas de Juliana. Ele o segura por alguns segundos e o cheira profundamente abrindo um enorme sorriso em seu semblante. As rosas do buquê pareciam que haviam sido colhidas naquele dia de tão maravilhosas que eram...

Seu Thomas voltou a sua mesma rotina... Mas mudou o caminho rotineiro de volta para casa... Agora ele sempre passa pela ponte de pedra antes de ir embora. Ele sabe que nunca mais irá encontrar Juliana ali, porque ela agora está do lado da mãe, descansando em paz...

...

Escrito por FRAN... "O Samurai" (Todos os direitos reservados)


"Essa foi uma história que escrevi já faz um tempo e queria deixá-la aqui porque gosto muito dela!"

10 comentários:

Átila Siqueira. disse...

Muito interessante a sua história. Eu gostei muito. Me lembra as lendas urbanas que se espalham ai pelas cidades, com mulheres que já morreram e que aparecem para alguém por algum motivo.

Quero te agradecer pela visita no meu blog. Se gostou desse conto que eu coloquei lá, que tem luta de espadas e tudo mais, vai adorar o meu livro Vale dos Elfos, que é recheado de lutas assim.

Quanto ao filme que me indicou, eu já o assisti. Na verdade eu já conhecia a história dos 300 de esparta muito antes do filme, já havia lido muito sobre aquilo. Mas obrigado pela dica, que é muito boa.

Um grande abraço,
Átila Siqueira.

Pelos caminhos da vida. disse...

Linda a sua história,me prendeu do começo até o final,

Vim agradecer sua visita,seu comentário carinhoso no meu espaço e aproveitei para conhecer o seu,gostei daqui e vou ser uma seguidora desse espaço tão aconchegante.

Otimo domingo para vc.

Qdo tiver um tempinho conheça esse espaço meu tb.

beijooo.

Pelos caminhos da vida. disse...

Obs: já está linkado no blog meu Além do Horizonte.

Depois volto para ler seus outros textos,gostei mesmo daqui.

beijooo.

Diogo disse...

Muito legal essa postagem Franciney. Me chamou muito a atenção como estudo a doutrina espirita, sempre me ligo em assuntos, historias, casos q envolvem um outro lado da vida, as vezes ignorado! Parabens, gostei mesmo! Me lembrou um cientista chamado Willian Crookes q pesquisava fenomenos de aparição de espiritos, até de materializações dos mesmos!! Bem, parabens e ótimo domingão!!
(desculpe o repeteco no comentario mas o 1º acabou saindo como anonimo)

Deusa Odoyá disse...

Olá meu novo amigo.
Que história interesssante.
Mesmo sendo sobrenatural, achei muito linda e triste.
Bem nítida de fenomenos paranormais.
Uma espécie de materialização.
Beijos amigo.

Uma semana recheada de muita paz, amor e luz.
Te aguardo em emu cantinho.

Giselle disse...

Fran,
linda história, já ouvi uma mais ou menos parecida, meu api contava há muitos anos, mas era a mulher do táxi, não sei já já ouviu ...
Mas, penso que além de ser uma história , de fato, realmente alguma vez já deve ter realmente acontecido ...
Fran, linda semana para vc ...
Beijos

Olavo disse...

Bela história meu caro amigo..prendeu minha atenção e me emocionou..
Quando se tem veia de escritor é otimo..aproveite e parabéns.
abraço
Olavo

Vivian disse...

...enquanto te escrevo, o reloginho do monitor marca
2:10hs de uma madrugada
tranquila, precedendo
um dia feliz.

tua história me prendeu do começo
ao fim, e posso imaginar quão
em paz estava seu coração
enquanto a escrevia.

assim tbm fiquei eu em paz mergulhada nas 'imagens'
que se formaram no decorrer
das linhas.

vc tem o dom da escrita, Fran.
não o desperdice jamais.

bjusssssssssssss

Déia Arakaki disse...

Oi amor...
Muito legal essa História sobre o buque de rosas.
Nem preciso dizer que voce tem um enorme dom para escrever né?
Tanto criatividade , como sabe colocar as palavras no lugar certinho.
Como espírita, acredito de verdade em enumeros fenomenos como esta dessas sua historia.
Geralmente quando alguem desencarna de uma forma bruta ainda fica preso entre os dois mundos (o da Carne e o Espititual).
E enquanto não cai em sí de sua atual realidade (á do espirito desencarnado)..
Chega a aparecer mesmo á pessoas com dons médiunicos .
Bem.. mais uma vez gostei muito do que escreveu..
Voce como sempre um serzinho bem criativo...
bjs

E o pensamento voa... disse...

Oi, Fran!

São 5 horas da manhã, e eu só havia dado um pulinho para te conhecer...resolvi ler este post também porque vi que era de tua autoria...Me prendeu do começo ao fim! Achei muito lindo! Parabéns!

Um abração,

Neli